Ressurreição do vinil:

Nos EUA, o comércio de vinil voltou a crescer acima de 50% em 2014. De acordo com o The Wall Street Journal, ao todo 9,2 milhões de LPs foram vendidos no no ano de 2014, um crescimento de 53% em relação a 2013. No total, a pesquisa de Nielsen SoundScan aponta que as compras dos discos nos EUA representam 6% de todo consumo de música no país. Entre os artistas que mais venderam disco de vinil, estão: Artic Monkeys, Lorde, Lana Del Rey, Lady Gaga, entre outras bandas que atraem um público mais jovem no país e no restante do mundo.

 

Todavia, em 2017 os discos de vinil mais vendidos vieram de relançamentos de clássicos (The Beatles, Pink Floyd e outros), grandes nomes da atualidade como Ed Sheeran e trilhas sonoras como Guardiões das Galáxias e La La Land.

 

De acordo com o relatório da Recording Industry Association of America (RIAA) que consolida os números de 2017, os downloads digitais representam menos receita e menor quantidade de vendas perante as mídias físicas como CDs e discos de vinil, mesmo levando em consideração que os CDs estão cada dia mais em baixa. Essa recente divulgação da RIAA mostrou que as vendas de downloads digitais despencaram no ano de 2017.

Com queda de 25%, os downloads digitais renderam apenas US $ 1,3 bilhão em relação ao ano anterior, enquanto a receita de produtos físicos caiu apenas quatro por cento, faturando US $ 1,5 bilhão. É o terceiro ano consecutivo em que o formato de downloads digitais registra declínios de dois dígitos, e a primeira vez desde 2011 a ficar atrás das vendas de músicas físicas (CDs mais discos de vinil). E como consequência disso, a Apple (uma das pioneiras de vendas neste formato) já anunciou mudanças no seu negócio de downloads de música e vai fechar o iTunes LP.

 

De acordo com o relatório da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) de 2017, o streaming de música é o modelo que mais alcança rentabilidade para a indústria fonográfica, porém, os discos de vinil, mesmo não representando as grandes rentabilidades do streaming, é considerado como uma das mídias mais em alta e mais rentáveis dos últimos anos.

 

No Brasil e na América do Sul

No Brasil, o LP começou a perder espaço em 1992. Em 1993foram vendidos no Brasil 21 milhões de CDs, 17 milhões de LPs e 7 milhões de fitas cassetes.

O LP foi lançado comercialmente em 1951, mas só começaria a suplantar o formato anterior a partir de 1958 (formato 78 RPM de 10 polegadas fabricados em goma-laca, que foram introduzidos no país em 1902 e abandonados de vez em 1964). Com o lançamento do CD em 1984, anos depois o LP começou a perder espaço (isso a partir de 1992). Em 1991 foram vendidos 28,4 milhões de LPs no Brasil. Em 1993 foram vendidos 21 milhões de CDs, 16,4 milhões de LPs e 7 milhões de fitas cassetes e em 1994 foram 14,5 milhões de LPs. O LP ainda manteve vendagens razoáveis até o final de 1995, mantendo nesse ano vendagens entre 5 e 10 milhões de cópias.

 

A partir de janeiro de 1996, as vendas do LP começaram a declinar acentuadamente em função da estabilização da moeda (consequência do Plano Real e melhoria do poder aquisitivo da população, que permitiu a população adquirir mídias musicais mais modernas), apesar de nesse ano as vendagens de LP serem de 1,6 milhão de unidades e quase zero no ano seguinte. As grandes gravadoras produziram LPs até 31 de dezembro de 1997, restando apenas uma gravadora independente em Belford Roxo (a Vinilpress), vindo a falir no ano 2000 fazendo o vinil praticamente sair das prateleiras do varejo fonográfico. Apesar disso, uma pequena parte ainda foi comercializada até meados de 2001, quando começaram a popularizar mídias digitais tais como o Ipod e o Napster.

 

Na segunda metade de 2008, os proprietários da Polysom, informados do volumoso crescimento na venda de vinis nos Estados Unidos e na Europa, depararam-se com a possibilidade de adquirir o maquinário da antiga fábrica e reativá-la. Em setembro do mesmo ano, começaram as diligências e os estudos que resultaram na aquisição oficial, em abril de 2009. No final de novembro de 2009, depois de meses de restauração, a fábrica finalmente fica pronta, sendo feitos os primeiros testes com os LPs produzidos. A fábrica tem capacidade para produzir 28 mil LPs e 14 mil Compactos por mês. Estabeleceu-se como única fábrica de vinis de toda a América Latina, condição que se mantinha até o final do terceiro trimestre de 2017, quando a fábrica Vinil Brasil foi inaugurada.

 

Porém, a partir de 2016 e 2017 a cultura do vinil se espalha e são abertas fábricas em outros países da América do Sul, como a Argentina e o Chile. Na Argentina, a Laser Disc e a Hamilton Records, e no Chile, a Libre Records. Desta forma, passamos a ter neste pedaço das Américas, duas fábricas no Brasil (Polysom e Vinil Brasil), duas na Argentina (Laser Disc e Hamilton Records) e uma no Chile (Libre Records), totalizando 5 fábricas no subcontinente.

 

No Peru, a Infopesa passou a vender discos de vinil do seu catálogo nacional – vendidos no Peru, contudo, os discos são fabricados em outros países – e na Colômbia há uma tentativa de reconstrução da fábrica de Henry Cavanzo.

 

gallery/maxresdefault